out
18

A última briga

As Aventuras do Pequeno Jonathan Estrela

garras

As brigas sempre foram como um combustível para mim. Não sei exatamente porque, mas sempre me enfurecia e argumentava com os punhos como se fosse um pugilista sociólogo profissional. Aliás, punhos, pés, joelhos, cotovelos e até os dentes. Na porrada eu tinha limites, entende!? E ainda ostentava a fama de brigar bem e de nunca ter apanhado. Mas eu não procurava confusão, só não fugia dela.

Aquele dia não foi diferente, mas foi. Por algum motivo, como todos os motivos anteriores, a confusão novamente veio até mim. O adversário inventou um motivo e marcou a briga para depois da aula, como de praxe. Nunca havia enfrentado ele antes, mas não tinha nada a temer, afinal ele era muito menor que eu. Não tinha, mas temia. Não sei o por uê, mas mas temia. Pela primeira vez eu não sentia vontade de brigar, não sentia raiva e nem via motivo para aquilo. Era… era… irracional!

O sinal bateu e nos dirigimos para o local da briga, a Esplanada. Sim, a Esplanada nada mais era do que uma esplanada, conhecida na cidade toda. O local mais aberto da cidade, lembrava um pouco uma daquelas arenas onde gladiadores… se degladiavam. Fui acompanhado por um amigo, que diante da minha expressão durante o caminho, perguntou-me: “Está com medo?”

A pergunta ecoou na minha cabeça. “Está com medo?”. Eu suava frio. Sem pensar muito, respondi apenas com um sorriso amarelo, como se dissesse “Óbvio que não!”, e ao mesmo tempo afirmava que sim.

brigaDa escola até a Esplanada, três quadras de distância e um infinito temporal, que demorou tanto quanto foi rápido demais… Frente a frente com meu inimigo (que no futuro jogaria na minha equipe de vôlei e na de futebol e que me apresentaria a primeira menina com quem fiquei) tentei fazer com que meu ódio peculiar aflorasse. Em vão. Mesmo assim, de modo quase teatral, parti pra cima dele, na esperança de que tudo acabasse rápido.

Poft! Pow! Soc! Pluft! Fio da p#$@! Poc! Pow! Pow! e…

- Eiiii, parem com isso, garotos! - esbravejou um bêbado andarilho que parecia ter brotado da terra, impedindo que eu levasse uma surra - olha, piazada, brigar não faz bem pra ninguém. Quem bate, troca o respeito pelo medo. Quem bate, esquece, mas quem apanha nunca esquece. NUNCA!

“Nunca!”. Aquilo veio aos meus ouvidos como uma bomba. Tentei me lembrar de todas as brigas que tive, não pude. Eu nunca tinha perdido uma. Eu já havia esquecido. Então senti o gosto amargo da derrota e pensei em quantos eu tinha feito sentir o mesmo por tão pouco…

A briga havia acabado. Meu oponente e seu amigo (meu vizinho, jogava futebol comigo quase todo dia, mas estava de mal por que eu tinha batido nele na semana anterior) saíram sorrindo de mim. Eu não sentia dor física alguma, mas chorava. Chorava como a criança que era e não sabia.

bebado filosofo

E essa foi minha última briga (ao menos por uma causa fútil). Foi o dia em que aprendi duas máximas da vida que carrego até hoje: que, às vezes, uma derrota é mais importante

do que várias vitórias e que andarilhos bêbados sempre, surgem do nada. SEMPRE!

baseado em fatos muito reais.



set
28

O dia do Corpo de Bombeiros

*A partir de hoje, uma autobiografia não-autorizada de Jonathan Estrela, membro oculto da família Negão Internauta.

As Aventuras do Pequeno Jonathan Estrela

Eram cerca de 4 da tarde. Nós estávamos no mesmo lugar de todas as tardes, no Estádio 7 Copas. Era um estádio especial: Os muros das casas lindeiras serviam de arquibancada Vip, só os mais velhos conseguiam assistir de lá. Os outros ficavam no geral mesmo, que era a calçada. No gramado, ao invés do tradicional tapete verde grama, um preto pixe. Os carrinhos que atrapalhavam o jogo eram diferentes daqueles que devem ser punidos com cartão amarelo se aplicados por trás. Nesse caso, se o carrinho acertar por trás, leva no mínimo multa. Ou seja, o que os demais chamavam de Rua Washington Luiz nós batizamos de Estádio 7 copas, uma homenagem à vegetação local.
Como sempre, alguns de nós suavam a camisa, enquanto outros suavam ao relento mesmo. Disputas quentes, jogadas ensaiadas, pés pretos. Toda magia do futebol arte enclausurada em cerca de 50 m² de campo.

Mas tudo isso foi rompido por um som que vinha de longe, mas dava para saber que se aproximava com muita velocidade. Era uma sirene, daquelas que te deixam em alerta. Em pouco tempo enxergamos no fim da rua o carro do Corpo de Bombeiros e, muito estranhamente, atrás dele vinham várias pessoas, curiosos em geral.
No meio daquilo tudo, nós, atletas dedicados, não pensamos duas vezes, seguimos a multidão sem saber onde iríamos chegar ou porque estavamos fazendo aquilo.

O corre-corre dava ares de filme de ação. Todos corriam, alguns com cara fechada, como se estivessem em uma missão importantíssima. Outros, apostavam que chegaria primeiro ao destino, que era incerto para todos.

Ao fim de um número de quadras incalculável, o carro parou bruscamente. Os bombeiros desceram apressados. Todos se posicionaram, deviam ter treinado isso várias vezes. O “bombeiro chefe” entrou na residência e os espectadores ficaram na espectativa. Cerca de 20 segundos de espectativa…

15 segundos???

Isso mesmo. 15 segundos depois o bombeiro saiu com uma frigideira em chamas, na qual havia se fritado provavelmente um ovo, e a jogou numa valeta que beirava o quintal. Um silêncio reflexivo pairou na multidão. Quando o silêncio desfez-se pelo “bombeiro chefe”, que tentava explicar para a dona da residência que existe uma grande diferença entre uma casa pegando fogo e uma frigideira metida a besta, tudo desfez-se em solidáriedade.

O pedreiro colocou o saco de cimento nas costas e partiu. O cabeleireiro testou o fio da tesoura e partiu. O bombeiro enrolou a mangueira e partiu…

E nós? Bem, bola debaixo do braço e… partida!

baseado em fatos muito reais.

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Mais uma Sol!

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